2ª MOSTRA DE CINEMA DE BETIM
A 2ª MOSTRA DE CINEMA DE BETIM é pensada, neste ano, sob a perspectiva do momento histórico do audiovisual brasileiro. Nossa produção nacional cresce em todos os setores e amplia sua visibilidade internacional, com resultados expressivos em premiações globais, como o Oscar. Este cenário de crescimento é economicamente vital: a Indústria Criativa, que engloba segmentos como mídia, cultura, audiovisual e tecnologia, já representa 3,59% do PIB nacional, totalizando R$ 393,3 bilhões em 2023, segundo o Mapeamento da Indústria Criativa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN, 2025).
Chegamos à 2ª edição com a certeza de que estamos no caminho certo, ofertando possibilidades de democratização ao acesso ao cinema nacional, formando público, fomentando o conhecimento, a capacitação e networking entre profissionais e iniciantes do audiovisual, por meio de mostras de filmes, seminário, oficinas e intercâmbios.
Elizabete Martins Campos
Idealizadora e Diretora Geral
Curadoria Feminina
LORENA ORTIZ – curadoria de longas e curtas
MARIANA TAVARES – curadoria longas
LELIANE DE CASTRO – curadoria curtas
LORENA ORTIZ
curadoria de longas e curtas
Lorena Ortiz é colombiana, residente no Brasil desde 2008.
Estudou na Universidade de Cinema de Buenos Aires e fez uma série de workshops de técnica cinematográfica no SICA (Sindicato de la Industria Cinematográfica Argentina).
Atualmente, trabalha como montadora, curadora e diretora artística de longas-metragens, curtas e séries.
Entre as produções que trabalhou destacam-se filmes premiados em diversos festivais nacionais e internacionais: “Elena”, de Petra Costa; “My name is now, Elza Soares”, de Elizabete Martins Campos; “Noites Alienígenas” e “Empate”, de Sergio de Carvalho, entre outras.
Lorena ainda possui trabalhos como curadora de festivais, entre eles: Festival Latino-americano de Curtas En Transe (Bs As – Argentina), Pachamama Cinema de Fronteira (Rio Branco, AC), I Mostra Delas de Cinema do Norte (Rio Branco, AC), e da I e II edição da Mostra de Cinema de Betim (Betim, MG).
A curadoria da 2ª Mostra de Cinema de Betim partiu da premissa do território que é a própria Betim, cidade industrial que, de alguma forma, fica fora do eixo aonde chega a maioria das mostras nacionais e internacionais mais abrangentes.
Então, partindo da premissa de um público majoritariamente em formação, fizemos a escolha de filmes que trouxessem linguagens ousadas, diversas, experimentais na forma ou no conteúdo, feitos em diferentes regiões do Brasil.
A curadoria apresenta uma pequena amostra do que está acontecendo no cinema contemporâneo brasileiro: filmes de cunho crítico social, que estão abordando temas como o etarismo, o afeto, a sororidade entre mulheres, efetivamente uma indução ao olhar para temas do nosso passado que ainda se repetem, apesar de serem muito atuais na cena social contemporânea.
A curadoria se propôs a pensar nos cineastas em formação da cidade de Betim, para trazer filmes que utilizam múltiplos recursos como documentários feitos a partir de material de arquivo, animações, ficções de diversos tamanhos de orçamento, e assim fazer escolhas que pudessem dialogar e ajudar a nutrir o estudo e a pesquisa desses novos realizadores.
MARIANA TAVARES
curadoria de longas
Professora, pesquisadora de Cinema e documentarista. Curadora da 2ª Mostra de Cinema de Betim.
Jornalista, trabalhou por 15 anos na Rede Minas de Televisão.
Seu doutorado em Artes/Cinema originou o livro “Helena Solberg, do Cinema Novo ao Documentário Contemporâneo”(2014, Imprensa Oficial de SP/É Tudo Verdade). Sua pesquisa de pós-doutorado, também na UFMG, resultou no livro “Escola de Belas Artes, UFMG: 65 Anos de Ensino-Aprendizagem em Artes” (em coorganização com Lucia Pimentel e Evandro Lemos) lançado em 2024, pela editora Ramalhete, em Belo Horizonte.
Também coorganizou em conjunto com Maurício Gino, o livro “Pesquisas em Animação” Vol 1, (2019, Ramalhete) e “Pesquisas em Animação: Conexões Internacionais”, Vol 2, (2025, Ramalhete) também com Marcos Magalhães e Arttur Espindula.
“A curadoria foi pensada levando em conta o caráter de formação de público da Mostra de Betim, sobretudo, na formação do público betinense com relação à riqueza e pluralidade do cinema brasileiro e para o significado de vermos e ouvirmos na tela, nossas histórias, e a diversidade desse país continental.
Pensamos então a curadoria em torno de alguns eixos, sendo um deles, o cinema feito por mulheres e a potência dessas diretoras que estão filmando em vários estados brasileiros. Nesse sentido, é notória a aparição de filmes singulares como “Um Dia Antes de Todos os Outros”, rodado no Rio de Janeiro por Valentina Homem e Fernanda Bond, e “Manas”, rodado na ilha do Marajó por Mariana Brennand.
A mostra também traz “Pau D’arco”, documentário corajoso realizado pela jornalista Ana Aranha, a partir de uma desoladora chacina de trabalhadores sem terra no estado do Pará e o trabalho incansável de um advogado na luta para que os trabalhadores conseguissem a posse das terras.
Outro eixo são filmes que trazem diferentes aspectos da arte e da cultura brasileira. Dentre eles, um documentário também rodado por uma mulher, o belo “Milton, Bituca, Nascimento”, dirigido por Flávia Moraes; um dos vencedores do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e que contextualiza a importância do trabalho de Milton Nascimento e sua inserção na cena internacional.
Nessa perspectiva, também temos outro filme que é “Othelo, O Grande”, dirigido por Lucas Rossi, que aborda a trajetória desse ator brasileiro que tem a particularidade de ter atuado em diferentes épocas da produção audiovisual nacional. Grande Othelo foi ator das chanchadas na década de 1940 quando fazia parceria cômica com Oscarito e também foi um ator fundamental do movimento do Cinema Novo (década de 1960) sendo que chegou a atuar em novelas da televisão brasileira na década de 1980, evidenciando uma trajetória única no audiovisual brasileiro.
Ainda no eixo da arte brasileira, temos o documentário “Elis e Tom, só tinha de ser com você”, dirigido por Roberto de Oliveira e Jom Tom Azulay que acompanha a parceria da cantora Elis Regina com o músico Tom Jobim durante a gravação do álbum “Elis & Tom”, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, em fevereiro de 1974. A gravação em estúdio, registra canções que se tornaram clássicos da MPB, todas criadas por Tom Jobim. Todo o processo de gravação foi filmado sendo que o material ficou guardado por cinco décadas e só em 2023, veio à tona nesse documentário também premiado no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
Outro eixo da curadoria são filmes pensados para o público infanto-juvenil das escolas, como “O Menino e o Mundo” de Alê Abreu, única animação brasileira que concorreu ao Oscar de melhor longa animado. O filme traduz nossa diversidade e riqueza cultural. Um filme obrigatório.
E junto com as comemorações do aniversário de 90 anos do cartunista e escritor brasileiro Maurício de Sousa, a 2ª Mostra de Betim também exibe “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”, protagonizado por um ator mineiro, o Isaac Amendoim, interpretando o querido personagem Chico Bento. A obra é uma aventura deliciosa rodada no interior.
E para terminar, também pensamos em filmes que evidenciam a produção brasileira contemporânea em sua diversidade e qualidade como “O Agente Secreto”, o mais recente longa do premiado cineasta recifense, Kleber Mendonça Filho. O longa apresenta a história de um personagem misterioso protagonizado por Wagner Moura (que lhe rendeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes esse ano). Kleber Mendonça também foi premiado com a melhor direção. Esse filme é o nosso candidato à disputa por uma vaga no Oscar em 2026; um filme que mistura gêneros, com um tom policial, de suspense e uma boa pitada de terror, uma das marcas do cinema de Kleber Mendonça.
E ainda, O “Último Azul”, de Gabriel Mascaro, premiado em Berlim esse ano, que traz uma Amazônia pouco convencional e uma protagonista incomum: uma senhora de 70 anos (aproximadamente) que toma as rédeas da sua vida, conduzindo um barco pelos rios do norte do Brasil. Filme também imperdível. E “Kasa Branca”, do Luciano Vidigal, filmado numa comunidade no Rio de Janeiro, com vários temas, dentre eles, a ancestralidade africana e a juventude carioca que vive e trabalha com criatividade e arte nas comunidades. Temas abordados em um roteiro bem amarrado. Também é um filme imperdível.
LELIANE DE CASTRO
curadoria de curtas
Leliane de Castro é fotógrafa, artista visual e produtora audiovisual.
Estudou design na FUMEC. Fundadora da produtora independente Urso d’Água Lab Cultural, registrada na ANCINE, onde desenvolve projetos de criação e difusão audiovisual.
Na It Filmes, atua na equipe de comunicação da Mostra de Cinema de Betim, projeto Circulabit, bem como atuou nas produções “My Name is Now, Elza Soares, “Alegria Brasil, estrelando Maria Alcina” e “A Criatura Sou Eu Ontem”.
Teve seu videoarte “A Grosso Modo”, exibido no Museu da Gerdau, em Belo Horizonte, como parte da mostra “Festival Hors Pistes Brasil”, concebida pelo Centro Pompidou. Atualmente, desenvolve o projeto “Horizonte dos Sentidos”, evento que dialoga com a atuação feminina e da comunidade LGBTQIA + no mercado das artes visuais, tecnologia e mídias latino-americanas.
“A proposta da Mostra é incluir curtas-metragens antes das exibições de longas, criando uma experiência imersiva nas linguagens do cinema. Juntamente com Lorena Ortiz, buscamos construir uma seleção que convidasse o público a um exercício reflexivo, ampliando a experiência do espectador com as obras que serão exibidas em sala de cinema, com imagem e som de alta qualidade. Com seleções que levaram em conta a diversidade temática, representatividade e o diálogo com diferentes públicos.
Assim como na edição anterior, esta Mostra proporciona a muitas pessoas, de diferentes idades, a primeira vivência dentro de uma sala de cinema. Iniciativas como esta precisam ser valorizadas e mantidas acessíveis a todos os públicos, pois o cinema é pertencimento, registro, memória e transforma. Vida longa à sétima arte, viva o cinema nacional!”